Jornada Mulheres em Discurso

Publicado: maio 10, 2017 por tyaraveriato em Mulheres em Discurso

De 1 a 3 de Junho de 2017 no IEL/Unicamp

A Jornada Mulheres em Discurso foi fruto de um trabalho desenvolvido desde 2013 por um grupo de pesquisador@s empenhad@s em compreender a relação entre línguas, memórias, história, sexualidade, gênero, raça, classe e etnia, entre outras determinações, na constituição da subjetividade contemporânea.  Confira a programação!

Os vídeos de todas as mesas redondas estão disponíveis no canal YouTube do Centro de Pesquisa POEHMAS . Clique e assista

POEHMAS canal YOUTUBE

 


PROGRAMAÇÃO:

Quinta-feira- 1/06 – Auditório do IEL

9h –  Credenciamento

9h45 – Abertura da Jornada

10h às 12h – Mesa “Mulheres, Discurso e Resistência” 

Sóstenes Ericson UFAL; IEL/Unicamp, Aline Fernandes de Azevedo (FFCLRP/USP – El@dis), Ana Josefina Ferrari (UFPR), e Ana Rolim (UECE – FCM-Unicamp).

12h às 13h30 – Almoço e espaço aberto para intervenções dos coletivos que trabalham com questões de gênero.

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Você marcha, Maria. Maria, para onde?

Publicado: dezembro 10, 2015 por tyaraveriato em Análise do Discurso, Feminismo, Gênero

AmericanaemItália1 alta Ruth Orkin, American Girl in Italy, 1951

No verbo ‘olhar’, as fronteiras do ativo e do passivo não são nítidas.

Roland Barthes – Dentro dos olhos.

American Girl in Italy faz parte de uma série de imagens da Fotógrafa Ruth Orkin em parceria com a artista Jinx Gawked. No site oficial de Orkin[1] há uma pequena narrativa sobre o ensaio fotográfico realizado durante uma viagem pela Europa, em que elas se conheceram e conversaram sobre as dificuldades de mulheres jovens e solteiras viajarem sozinhas. Encontro que resultou na ideia de flanar pelas ruas de Florença, pedindo informações, sentando em cafés, admirando a estatuaria italiana, enfim, andar por aí, fotografando tais instantes e eis que surge o flagrante que se tornou a famosa imagem da Garota Americana que passa em uma calçada repleta de homens e se torna a atração do momento, a presença feminina que literalmente ‘vira o pescoço’ de todos que ali estavam olhando sem saber que também eram olhados pelo dispositivo fotográfico e o quanto ainda o seriam ao longo da História. Como disse Barthes, “[…] à força de olhar, talvez nos esqueçamos de que também somos olhados […]” (1982: 278).

Olhada também fui por esta composição instantânea e da cabeça aos pés pelos mil olhos destes homens que continuam nas ruas de diversas cidade a olhar, assoviar, a ‘mexer’ com aquelas que passam, mas também fui pega pelo jeito esvoaçante da moça que segue – envergonhada? Intimidada? Envaidecida? Presunçosa? Indiferente? Onde está o olhar de Jinx? – nunca saberemos e por isso e por outros motivos que desconhecemos, olhamos e interrogamos em um jogo interminável, mas, sobretudo, posso dizer que fui captada por esta foto porque ela me fazia olhar para a História. Leia o resto deste post »

No dia 31 de março, apresentei no Atelier de Recherches Linguistiques sur les genres et les sexualités (Ateliê de pesquisas linguísticas sobre os gêneros e as sexualidades), o trabalho “As identidades brasileiras gendradas: propostas teórica em análise do discurso”. O resumo em francês desse trabalho pode ser lido aqui. Neste post vou comentar o que desenvolvi nessa apresentação.

No âmbito da tese que preparo em Análise do discurso, teço análises em torno do que se pode chamar os estereótipos sobre o.a.s brasileiro.a.s. Me interesso pelas produções discursivas produzidas no contexto do turismo, circulando na França ou no Brasil. A proposta, que se baseia na hipótese de que essas produções discursivas (= estereótipo) são processos de identificação gendrados, é uma reflexão sobre as possibilidades de articulação dos estudos de gênero e da teoria do discurso (materialista), para analisar a formulação  e a circulação desses discursos. Trata-se de um trabalho que é fruto de trocas e de uma construção coletiva. Primeiramente, no grupo Mulheres em Discurso/CNPq, UNICAMP. E mais, recentemente, no laboratório Pléiade (Paris 13), do qual faço parte igualmente e onde realizo estágio doutoral, com bolsa CAPES PDSE. Leia o resto deste post »

Transfeminismo e discurso: aproximações possíveis

Publicado: maio 11, 2015 por Beatriz Bagagli em Gênero
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Ao longo das minhas leituras no transfeminismo e na análise do discurso, pude perceber relações promissoras que podem ser traçadas entre sexo e linguagem. A discussão transfeminista nos aponta especialmente para a importância na forma como o político é textualizado, no que se refere aos sentidos sobre homens, mulheres e as relações de poder que envolvem as relações de gênero. A linguagem e a forma como no discurso os sentidos são disputados, não são de nenhuma forma questões secundárias. São questões centrais na forma como tenho entendido (e participado ativamente) as recentes discussões transfeministas. De forma semelhante faz a análise do discurso em suas especificidades na compreensão do funcionamento linguístico remetido às formações ideológicas.

Me interesso sobretudo na forma como as diferentes formações discursivas que simbolizam o gênero – em especial, os sentidos sobre homens e mulheres, cisgêneros e transgêneros – constroem uma relação de transparência entre sexo e linguagem. Sexo aparecendo de forma transparente entre a coisa designada e o próprio nome: como o discurso teve que funcionar, em suas formas linguísticas, para tanto? Leia o resto deste post »

Foto do acervo do grupo ParÁFRICA

Foto do acervo do grupo ParÁFRICA

Não admitimos as equivocadas análises que fazem de circunstâncias que nos são impostas, tampouco aceitamos limitadas definições do que sejam as mulheres negras. Somente nós mesmas podemos nos definir. Somos as fontes mais genuínas de conhecimento sobre nós; exigimos que estudos que nos tomem por temática tenham como centralidade nossos pontos de vista de mulheres negras.

(Petronilha SILVA, 1998)

Escrevo este post depois da leitura e da troca de comentários sobre um outro, da colega do grupo de pesquisa Mulheres em Discurso-CNPq e amiga Glória, em seu blog Ces mots que voyagent. Pra mim, ser instigada a um debate aberto e público sobre temas que tocam a prática de produção de conhecimento já é para se comemorar em tempos de meritocracia e produtivismo. E sinto que essas trocas contribuem imensamente para minha formulação teórica e tomada de posição política no trabalho acadêmico. Leia o resto deste post »

Leia aqui.

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Femmes en discours. Subjectivation, genre, sexualités” foi o título da conferência da professora Monica Zoppi-Fontana na Université de Paris 13, ministrada no dia 12 de fevereiro. A apresentação integrou o seminário de Marie-Anne Paveau, “Nouveaux discours militants. Féminimes contemporains“.

 

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Virginie Despentes, Angélica Freitas…e minha tese?

Publicado: fevereiro 11, 2015 por Glória França em Feminismo, Gênero, Literatura, Sexualidade

(esta é uma reblogagem de um post feito em meio blog científico Ces mots qui voyagent (Essas palavras que viajam). Texto publicado sob proteção da licença Creative Commons: pode citar, compartilhar, guardando obrigatoriamente a autoria e que seja sem fins lucrativos.


 

Virginie Despentes diz:

eu escrevo do lugar das feias, para as feias, as velhas, as caminhoneiras, as frígidas, as mal comidas, as não comíveis, as histéricas, as taradas, todas as excluídas do grande mercado da mulher boa (1)

Angélica Freitas responde:

porque uma mulher boa

é uma mulher limpa

e se ela é uma mulher limpa

ela é uma mulher boa

 E eu: decidi escrever meu primeiro post fazendo de conta que eu não estou falando de meu tema de tese, sendo que, a gente bem sabe, quando somos doutorando.a.s a gente tem a impressão de que tudo toca em nosso tema de pesquisa.

Visto que minha tese se concentra em torno dos discursos produzidos na França e no Brasil sobre nós, brasileiro.a.s, e que eu estou a todo instante fazendo essa viagem entre a França e o Brasil através dos pesquisadore.a.s de lá e de cá, eu escolhi registrar aqui a descoberta que eu fiz de duas mulheres impressionantes e que, talvez elas não saibam, mas que dialogam, e tem muito inspirado meus pensamentos de doutoranda ao longo desses primeiros meses da minha estada aqui na França.

A primeira, Virginie Despentes e seu livro (e que livro!) que se chama “King Kong Théorie”. “Ele é formidável, esse livro, você tem que lê-lo”, disse minha orientadora, Marie-Anne Paveau, assim que eu cheguei na França, e ela tinha toda a razão. Leia o resto deste post »

Hoje trago para esta mesa um texto incompleto, falho, lacunar. Um texto em processo: um texto. No corpo do meu texto falho, ensaio reflexões e as entrelaço entre textos que teço e alinhavo. Ele é resultado parcial da pesquisa que desenvolvo no meu pós-doutorado na Unicamp com a Prof.a Mónica Zoppi e que se titula “Memória de mulheres quilombolas: uma análise discursiva de entrevistas a mulheres de comunidades quilombolas de áreas rurais do município de Guaraqueçaba” e que tem o auxilio PDJ-CNPQ. O mesmo se desenvolve juntamente com as mulheres da Comunidade quilombola de Batuva no município de Guaraqueçaba no Litoral do Estado do Paraná.
O objetivo que o norteia é : Observar, delimitar e conceitualizar os funcionamentos da memória nos processos de subjetivação e identificação relacionados com a construção de identidades em entrevistas de mulheres de comunidades rurais quilombolas do município de Guaraqueçaba (PR). Para o presente trabalho, propomos, dentro desse objetivo geral, tratar especificamente como a mulher agricultora da comunidade de Batuva se diz e diz sobre o próprio corpo. Como ela significa e se significa nas falas sobre seu corpo na sua relação com sua constituição como mulher de comunidade rural quilombola. Propomo-nos observar os funcionamentos das redes de memória a partir da análise de depoimentos obtidos em entrevistas feitas a mulheres destas comunidades rurais. Para isso, realizamos entrevistas a mulheres que não são famosas nem conhecidas nas mídias ou no espaço público, mas que participam e participaram do cotidiano das práticas da comunidade nas áreas rurais de Guaraqueçaba.

Para ler o texto na íntegra, consulte: ARTIGO A.J. FERRARI

Por Águeda Borges

A discussão sobre “mulheres” tem se desenvolvido amplamente em diferentes linhas de pesquisa, diversas categorias, dentre tantas a de sexo/gênero, considerando que há distintos usos e interpretações acerca dessas delimitações categóricas. Compreendo “gênero como uma construção discursiva, efeito de um processo de interpelação complexo e contraditório” (ZOPPI-FONTANA, 2013). As particularidades de cada povo implicam modos (e intensidades) de relação específicos com a sociedade ocidental e entre as diferentes etnias.

Ao tomar, por exemplo, um evento de inserção indígena na cidade, empiricamente, há que se levar em conta a sócio-cosmologia, a noção específica de etnicidade e a noção de sujeito.

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No caso da pesquisa que venho desenvolvendo, meu olhar converge para diferentes práticas de mulheres indígenas, que sob o meu parecer são constitutivas de espaços de resistência. Uma delas tem relação com as diferentes pinturas corporais, principalmente do rosto, e a maquiagem, própria das mulheres ocidentais, na intervenção do espelho enquanto objeto e enquanto metáfora da sociedade ocidental. Leia o resto deste post »